24
Ago 11

XV.


Eu estava a sonhar, tinha perfeita consciência disso, mas o que não compreendia era porque raio a música “The Garden” da Mirah estava no sonho. Acordei, abri um olho e percebi de imediato de onde vinha a música, o meu telemóvel estava a tocar. Estiquei um braço e alcancei-o, ainda só com um olho aberto vi no visor o nome “Robert” a piscar.

- Bom dia! – Atendi com um sorriso nos lábios.

«Olá, meu amor. Acordei-te?» Perguntou Rob do outro lado da linha.

Era tão bom ouvir a sua voz ao fim do que me parecia uma eternidade, sentir o arrasto em algumas vogais e a tom grave e doce.

- Sim, mas não faz mal. – Olhei para o relógio, marcava 11:34 da manhã.

«Desculpa, pensei que a esta hora já estivesses acordada. Que andaste a fazer para estares tão dorminhoca hoje?» Conseguia perceber o sorriso do outro lado da linha.

- Ontem à noite o Jake e a Jane arrastaram-me para uma discoteca nova. Já saímos de lá tarde. – Expliquei.

«Divertiste-te?»

Pensei no quanto tinha estado solitária e triste até Gavin chegar e tudo se compor.

- Mais ou menos. Sinto a tua falta.

«Sentes é a falta dos meus passos de dança magnificamente sexys.» Era mais que sabido que Robert não sabia dançar. Limitava-se a abanar os ombros enquanto a sua cabeça andava para cima e para baixo consoante o ritmo da música, e muitas das vezes nem acompanhando o ritmo da música.

- Oh sim…foi com os teus passos de dança que me conquistaste! – Começamos ambos a rir.

«É bom ouvir a tua voz.»

- Por falar nisso, onde é que tens andado? Já imaginei o pior.

«Desculpa minha linda. Esta cidade ainda é uma bosta no que trata a comunicações e futuro. Neste momento estou a ligar-te do ginásio do hotel porque é o único sítio nesta terrinha onde apanho rede no telemóvel, imagina só! A internet ás vezes passa por aqui mas só de visita.»

- Quando é que voltas?

«As gravações atrasaram um pouco devido ao mau tempo, ao que parece uma mini tempestade decidiu aparecer para nos arruinar os planos e não temos andado a gravar, mas vamos fazer de tudo para recuperarmos o tempo perdido. Por isso ainda não te sei dizer muito bem.»

- Tudo bem. Eu quero é que voltes inteiro para mim.

« O quê?...Estou?»

- Robert?

«Estou? Summer? Não te … ouvir. Est..u?»

A chamada acabou por cair. Amaldiçoei as comunicações dos países menos desenvolvidos e amaldiçoei também a estúpida mini tempestade. Amaldiçoei muitas mais coisas das quais já nem me lembro.

Sem mais paciência para estar na cama levantei-me e desci até à cozinha. Preparei uma chávena de leite com cereais embora não fosse bem aquele pequeno almoço que me apetecia. Passados 10 minutos Jacob juntou-se a mim.

- Dormiste bem, ervilha? – Perguntou-me ainda a bocejar.

- Sim, o pior foi o acordar!

- Era o teu telemóvel que estava a tocar, não era? ‘Tava a ver que nunca mais o atendias. – Preparou uma taça de cereais para ele também. – Essa música causa-me arrepios na espinha, é tão, fria.

- A minha música é linda e não atendia porque estava a dormir. Enfim…era o Robert a dizer que as gravações estão atrasadas por isso não sabe bem quando volta.

Jacob inspeccionou-me durante um tempo antes de voltar a falar.

- E como te sentes em relação a isso? – Acabou por perguntar.

- Feliz da vida. – Respondi ironicamente enquanto me levantava e lava a minha chávena.

- Vais ver que quando menos esperares já o tens aí ao teu lado!

 

Felizmente Jacob tinha razão. Quase um mês depois eu estava a faltar às aulas para estar no aeroporto à espera de Robert. Foi um dos abraços mais fortes que já dei na minha vida e um dos beijos que melhor me soube desde que namorava com ele. Não nos importou os olhares indiscretos da equipa de trabalho nem os chamamentos por Rob por parte dos seguranças, ambos sabíamos que comigo ele estaria sempre seguro.

- Um dia vais ter que me contar como funciona esse teu poder!

- Um dia! – Respondi enquanto o beijava novamente.

Mas agora que Robert estava novamente à minha beira eu teria que partir. Tinha prometido que passaria a primeira semana de férias de verão em Forks juntamente com a minha família e já só faltava quatro dias para a minha partida.

A dois dias, estava deitada na minha cama com Rob, com os lençóis a tapar-nos os corpos desnudos. Tinha a minha cabeça pousada no seu ombro, fechei os olhos para melhor ouvir a sua respiração. Permaneci muito quieta com medo de que se me mexesse aquele momento se evaporasse numa nuvem de cinzas. Rob beijou-me o topo da cabeça e então eu tive a certeza que era seguro mexer-me.

- Consigo ouvir-te pensar. – Disse ele com a sua voz rouca.

Encarei-o com um olhar triste.

- Estou a pensar que ainda agora voltaste de África e eu já vou ter que me separar de ti novamente.

Robert percorreu a linha do meu maxilar com o indicador antes de me beijar. Começou a fazer-me algumas festas no cabelo.

- Eu tinha pensado numa solução, mas vai depender muito de ti. – Disse-me olhando profundamente nos meus olhos.

- Que tipo de solução? – Perguntei intrigada.

- Bem, eu tinha pensado que podia ir contigo a Forks.

Fiquei a olhar para ele, sem falar, completamente perplexa enquanto sentia um nervosismo no fundo da barriga. Robert queria ir comigo para Forks? Conhecer a minha família? Uma família inteira de vampiros e que ele sabia o que eram?

 - Tens a certeza? – Perguntei.

- Isto é…se te sentires à vontade. Não quero pressionar-te de maneira alguma a teres que me apresentar à tua família, era apenas uma solução para passar mais tempo contigo, visto que também acabei o trabalho e para a semana não tenho nada marcado. – Completou.

Mais uma vez silêncio.

- Estou a ver que te deixei pouco à vontade. Esquece o que disse. – Abraçou-me com força e pousou a sua cabeça em cima da minha.

- Não, pelo contrário! – Acabei por dizer. Ele voltou a encarar-me. – Robert, gostava imenso que viesses comigo até Forks e conhecesses todo o clã Cullen.

***


publicado por summercullen às 15:51
música: Mirah - The Garden
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31
Jul 11

XIV.2

Mais uma noite no meio de uma multidão. Mais uma noite em que tenho homens a vir ter comigo, tentar meter conversa, querem saber coisas sobre mim e querem pagar-me bebidas. Mais uma noite que recuso dezenas de convites. Mais uma noite que me sinto sozinha, completamente e aterradoramente, sozinha.

Sempre ri da célebre e tão usada frase “Posso estar no meio de uma multidão e sentir-me sozinha”, até hoje. Agora compreendo o verdadeiro sentido da palavra amar alguém, sentir tanto a sua falta que parece que nos arrancaram um pedaço e sentimo-nos vazios por dentro.

Robert estava em África, em gravações. Tinha partido a apenas 48 horas mas para mim pareciam meses…anos. Sentia a sua falta com todo o meu ser. Jacob e Jane tinham-me convencido a sair com eles, visitar uma nova discoteca que tinha aberto na baixa e que toda a gente dizia ser espectacular. E era! Uma grande pista de dança ampla e muito bem decorada, com bares de acesso rápido e fácil, zonas de lazer e descanso, um terraço no exterior com piscina e mais uma pequena pista com música mais calma. O género de sítio que eu adorava ir para me divertir, para conhecer novas pessoas, estava consciente da diversão que aquele espaço me poderia oferecer e no entanto não conseguia aproveitar nada.

Olhava para o telemóvel de 2 em 2 minutos na esperança que ele tocasse, nem que fosse com uma mensagem, com a chegada de um novo e-mail. Mas este teimava em ignorar-me.

Acabei de recusar mais um convite para uma dança. Estou sentada num pequeno sofá branco junto a um bar. Tenho o telemóvel pousado na perna esquerda, olho para ele fixamente à espera de um sinal enquanto brinco com o gelo restante da minha vodka de limão. Neste momento já não olho para quem me tenta falar, apenas ouço vozes e, delicadamente recuso as suas ofertas.

«Toca. Toca. Vá lá. Por favor, que apareça no ecrã as palavras Robert. Só preciso de saber alguma coisa de ti. Toca.»

- Posso pagar-te mais uma bebida? – Mais uma voz que fala perto de mim, mais uma a quem vou ter que recusar o convite. Nestas alturas gostava de ter Jacob ao meu lado, ao menos afasta um pouco os curiosos com mais receio de que ele possa ser o meu namorado.

- Não, obrigada. Estou bem! – Uma mensagem automática que sai da minha boca há já 2 horas.

- Não me pareces nada bem, Summer!

Como é que este desconhecido sabe o meu nome? Finalmente tirei os olhos do telemóvel para encarar o homem que estava à minha frente. Cerrei os dentes mal vi quem era.

- Não tens nada a ver com isso, Gavin. – Cuspi as palavras.

Voltei a fixar o meu olhar no aparelho com a esperança de que ele fosse embora. Em vez disso, sentou-se ao meu lado no sofá.

- Summer, deixa-me falar contigo, por favor.

Tive vontade de me levantar e de me ir embora, mas ao erguer os meus olhos vi Jake e Jane a dançarem na pista. Estavam tão divertidos, riam e trocavam passos desajeitados, olhares cúmplices e algumas palavras que os faziam rir ainda mais. Não podia ir interromper aquele momento só deles, iria estragar tudo, pelo que me deixei ficar sentada. Encarei Gavin, embora sem dizer uma palavra.

- Eu quero pedir-te imensas desculpas por aquela noite no “Eiffel”. Nunca deveria ter reagido daquela maneira com o Robert, tu já és crescidinha, sabes o que fazes, não tinha o direito de me ter metido daquela maneira na tua vida. – Iniciou ele. – Não aguento mais toda esta separação entre nós.

Ouvir aquelas palavras fez o meu peito doer. Pensei em Robert e porque razão ele ainda não me tinha dito nada desde que partiu. Jane avisara-me que Gavin estava apaixonado por mim naquela altura, terá sido por isso que reagiu daquela maneira violenta com Rob. Será que ele sentia a minha falta tal como eu sinto a do meu namorado? Ou pior ainda, visto que tem que se cruzar comigo todos os dias nos corredores e nas salas de aulas da faculdade mas sem nunca ter a chance de falar comigo?

- Eu também gostava que as coisas se recompusessem entre nós. Apesar da tua personalidade conflituosa e do teu ego que vai daqui a Marte, eu gosto de ti…como amigo! – Senti a necessidade de acrescentar a última parte ainda hoje não sei muito bem, mas Gavin não pareceu ter reagido mal. Acho até que ele, das duas uma: ou ignorou o que eu disse ou então ele pensa da mesma maneira.

- Eu prometo que daqui para a frente me vou portar muito melhor. – Sorriu. Bolas, como me tinha esquecido de como o seu sorriso era lindo. Quase perfeito. – Amigos? – Estendeu-me a mão.

- Amigos! – Confirmei, mas em vez de lhe apertar a mão dei-lhe um grande abraço. Estava a precisar de um, e Gavin não retaliou. Os seus abraços eram reconfortantes.

- YEY! Finalmente! – Ouvi Jane gritar ao nosso lado. Abandonamos o nosso abraço e olhamos para ela. Eu com uma cara de confusa e Gavin com um sorriso nos lábios. – Estava a ver que vocês os dois nunca mais se entendiam, já começava a esgotar as minhas ideias.

- As tuas ideias? – Interroguei sem perceber.

- A Jane deu-me uma pequena ajuda hoje. Enviou-me uma mensagem a dizer que vocês vinham até esta discoteca. Não podia perder mais uma oportunidade para te pedir desculpa.

- Vocês os dois andavam combinados? – Comecei a sentir-me quente e com alguma raiva. A minha melhor amiga andava a fazer esquemas com o gajo que bateu no meu namorado? Mas nesse preciso momento as palavras de Alice saltaram-me à cabeça «Lembra-te sempre dos teus valores. Foste criada para seres humilde e aceitares o que os outros te dizem. Ouve uma ou duas vezes para entenderes bem as coisas, assim não haverá mal entendidos.»

- Não era propriamente combinados, Summer. – Explicou-se Jane. – Vocês os dois andavam chateados há demasiado tempo, quanto tempo já passou? Dois meses? O que lá vai lá vai e tens que aprender a ouvir, coisa que nem queria fazer com o Gavin.

- Eu pedi à Jane para me dizer se vocês fossem sair hoje. Já não aguentava mais toda esta distância entre nós. Tentei por inúmeras vezes falar contigo, tentar explicar-te o quão arrependido estou, pedir-te desculpas. Mas nunca me quiseste ouvir.

Era verdade, eu nunca ouvia. Deixei-me cegar pelo meu orgulho. Até mesmo Robert me tinha dito para falar com Gavin, tentar resolver as coisas, afinal de contas éramos amigos, mas nunca lhe dei ouvidos. Jane tinha razão, assim como Alice, estava na altura de aprender a ouvir melhor as pessoas, saber o que têm para me dizer, afinal de contas fui criada assim.

Gavin distraiu-me o resto da noite e quase consegui esquecer a falta que senti de Robert. Dançamos e rimos, os quatro juntos. Quase no final da noite o casal retirou-se para um dos sofás mais privados para poderem descansar e namorar um pouco antes de terem de se separar por algumas horas quando forem ambos dormir. Resfoleguei com tal pensamentos. Sorte a deles estarem à distância de um telefonema e ambos conseguirem colocar-se em casa do outro numa questão de 20 minutos, talvez menos se Jacob for ter a casa de Jane.

O DJ colocou uma música mais parada e quase romântica e as pessoas começaram a formar pares para uma dança mais lenta. Os que estavam sozinhos aproveitaram aquele momento para ir reabastecer o copo. Gavin esticou-me uma mão e brindou-me com um sorriso brincalhão.

- Prometo que não mordo!

Sorri e aceitei o seu pedido. O seu cheiro enchia as minhas narinas, era um odor suave mas masculino. Por alguma razão Gavin nunca usava perfume. Os únicos odores que conseguia sentir que sabia que não eram naturais do seu corpo era do gel de banho e do desodorizante Axe. Sem me aperceber encostei o meu nariz no seu ombro. Fechei os olhos e deixei-me embalar pela sua dança. As nossas cabeças roçavam levemente em alguns movimentos. Comecei a imaginar como seria beijar a sua boca. Beijar os seus lábios cheios e definidos, sentir o gosto da sua língua na minha.

- É melhor irmos embora! Está a ficar muito tarde. – Afastei-me repentinamente dele a meio da música, algo que o deixou meio perplexo. Por algum motivo que eu agradeci em silêncio Gavin não questionou a minha mudança súbita.

Procuramos Jane e Jacob, fomos buscar as nossas coisas ao bengaleiro e saímos da discoteca. Gavin ficou de levar Jane a casa, visto que ele tinha que passar obrigatoriamente pela rua dela, assim nós não precisaríamos de fazer o desvio. Já no meu carro, entreguei a chave a Jake para que ele conduzisse. Eu ia contemplando a paisagem que passava por nós no lado de fora da janela.

Incomodava-me o facto de ter sequer pensado em beijar Gavin, de ter curiosidade em sentir como seriam os seus lábios encostados aos meus e o sabor do seu hálito quente. Encostei a cabeça à janela fria e fechei os olhos.

«Volta depressa Robert, por favor» pedi á lua.

publicado por summercullen às 17:24
música: Bruno Mars - Talking to the moon
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22
Jul 11

XIV


Como adorava estar deitada de olhos fechados sob a sombra das árvores do Central Park num domingo à tarde a ouvir todos os sons que me rodeavam. As conversas alheias divertiam-me e as gargalhadas das crianças alegravam-me. Estávamos em pleno Verão, as temperaturas dispararam nos termómetros e as pessoas saiam à rua. Nada melhor do que estar junto ao lago, a apanhar a leve brisa fresca que se faz sentir.

No entanto, havia um som no qual eu mais me concentrava, o bater de um coração, calmo e profundo, mesmo colado ao meu ouvido. Ergui uma mão e pousei-a no peito do corpo onde me apoiava, sentindo-a subir e descer de acordo com a respiração. Sentia o seu braço mesmo por baixo da minha cabeça a servir-me de almofada, estava consciente de ter uma pessoa ao meu lado, mas ainda assim, queria confirmar. Abri os olhos e levantei a cabeça.

Sim, Robert estava deitado ao meu lado, também ele de olhos fechados a saborear a frescura que o lago nos proporcionava. Ao sentir-me mexer abriu um olho e encarou-me. Os seus olhos estavam azuis muito claros e brilhantes devido à luminosidade e quase conseguia ver nitidamente o meu reflexo. Pensei que ele conseguiria fazer o mesmo com os meus.

- O que se passa? – Perguntou-me, com um sorriso no lábios, quando viu que não lhe ia dizer nada.

Tinham-se passado dois meses desde o nosso primeiro beijo e ainda não conseguia acreditar que finalmente ele era meu.

- Queria apenas confirmar que estavas ao meu lado. – Sorri.

- Estarei sempre ao teu lado. – Rob deitou a minha cabeça novamente no seu peito, deu-me um beijo no topo e começou a fazer festinhas no meu cabelo.

- Cuidado! – Um disco de frisbee aterrou ao nosso lado, batendo ao de leve no joelho de Robert. Ambos levantamos a cabeça. – Desculpem. Ele tem mesmo má pontaria!

Jane veio buscar o disco.

- Eu ouvi isso! Não tenho nada má pontaria, tu é que não consegues nunca apanhar o disco. – Resmungou Jacob ao de longe.

- Eu sou muito boa a jogar frisbee, está bem? Tu é que me fazes ficar patareca. Lobo mau. – Jane deitou a língua de fora a Jacob que começou a correr na sua direcção, abraçou-a pela cintura e fê-la rodopiar pelo ar enquanto ela dava pequenos gritos misturados com gargalhadas. Por fim, quando a pousou, beijaram-se apaixonada e demoradamente.

Felizmente as coisas com Jane tinham corrido muito bem. Jacob contara toda a verdade acerca da “nossa” família. Ao início Jane não queria acreditar, ficou um pouco em estado de choque e disse que éramos doidos varridos. Após algumas demonstrações por minha parte e do Jake, Jane desatou a dizer que já sabia. Por fim, passados três dias, acalmou e encarou bem as coisas.

Mas a coisa não foi fácil para Jacob. O meu melhor amigo teve que se esforçar, e muito, para a conquistar. Levou-a a passear, a almoçar, a jantar, ao cinema, a uma feira, ao shopping, a todo o tipo de restaurantes com todo o tipo de comida e só aí, é que Jane lhe deu um beijo, confessando logo de seguida que já estava apaixonada por Jacob há muito tempo mas que estava a gostar tanto da parte da conquista que não quis que acabasse logo. Desde então que estão juntos, talvez com um mês ou um mês e meio a menos que eu e Robert, mas igualmente felizes.

O meu pai regressou a Forks. Com o verão aqui em Nova York não fazia sentido ele cá ficar, só iria conseguir sair de casa à noite, o que era um aborrecimento. Ao inicio Edward não gostou muito da ideia de eu estar com Robert, mas num jantar lá em casa, em que eu cozinhei, o meu namorado teve uma conversa com o meu pai que o deixou mais descansado.

É engraçado dizer as coisas desta maneira, “o meu namorado teve uma conversa com o meu pai”, sendo o meu namorado, tecnicamente, mais velho que o meu pai seria uma coisa assustadora de imaginar.

Cole continua a ser um dos meus amigos mais chegados, embora o mantenhamos na ignorância, para ele, continuamos todos a ser humanos normalíssimos. Já com Gavin não posso dizer a mesma coisa. Desde a noite em que ele deu um soco em Robert que não nos falamos. Não por falta de tentativas pela parte dele, eu é que ainda não o consigo encarar devidamente, sem me dar raiva e uma vontade de lhe bater de cada vez que ele abre a boca. Vimo-nos na faculdade, temos aulas juntos, mas já não nos sentamos próximos. Ás vezes apanho-o a olhar fixamente para mim, mas como sempre, desvio o meu antes que o incentive a dirigir-me a palavra.

Robert tem estado muito ocupado com as últimas gravações do filme. Felizmente hoje conseguiu um dia de folga para podermos estar mais tempo juntos do que apenas uma hora por dia, que normalmente, é a sua hora de almoço e quando eu vou ter com ele. Sempre que estamos juntos num sítio público utilizo o meu poder para que as pessoas não o reconheçam. Ele adora o facto de poder ser novamente um anónimo e andar descontraidamente pelas ruas a passear comigo, de mão dada ou com o braço sobre o meu ombro. Podemos namorar em qualquer sítio sem que alguém pare para tirar umas fotos, pedir um autógrafo ou dar duas de conversa.

- Robert? – Chamei um pouco a medo. Há algum tempo que andava a evitar fazer esta pergunta, mas não podia mais.

- Sim ervilha? – A alcunha de Jacob tinha pegado e Rob adorava chamar-me de “ervilha”.

- Quando acabares este filme aqui em Nova York, pode-te calhar um trabalho em qualquer parte do mundo… - Iniciei.

Robert não me respondeu mas eu sentia a sua tensão através da sua respiração e o batimento cardíaco tinha acelerado um pouco.

- E depois? – Não era a melhor maneira para concluir mas estava com esperança que ele compreendesse. O facto de ter que verbalizar as palavras “e depois o que vai ser de nós? E se tiveres que ir para outra parte do Mundo? Quando nos iremos ver? O que vamos fazer?”

Robert levantou-se e sentamo-nos os dois, frente a frente. Ele pegou-me nas mãos e apertou-as com força desenhando, de seguida, pequenos círculos com o polegar.

- Eu não quero ficar sem ti. Não te quero deixar de maneira nenhuma. Posso tentar escolher alguns trabalhos em que as filmagens sejam por aqui perto, apenas a um estado ou dois de distância. Ou então posso deixar de fazer filmes.

- Estás doido? Representar é a tua profissão e estás no auge neste momento. Nunca te pediria, ou deixaria, fazer uma coisa dessas.

- Já ganhei o suficiente para não fazer nada durante muito tempo. Podia apenas, mimar-te!

- Já estou arrependida de ter tocado no assunto.

Um beijo deu por terminada a conversa.

Há noite, já depois de ter tomado um banho refrescante e de ter vestido um pijama, estava no sofá a aproveitar o facto de ter a casa só para mim. Jacob tinha saído com Jane e Robert tinha que se levantar muito cedo no dia seguinte. Adorava ter o meu amigo a viver comigo mas ás vezes sentia falta de ter a casa só para mim, silenciosa e organizada à minha maneira. A luz do meu telemóvel começou a piscar e o aparelho desatou a tremer. Quando atendi, era Alice do outro lado.

- Olá tia, tudo bem por aí?

«Sim, está tudo bem», por alguma razão a sua voz indicava algo diferente.

- O que se passou?

«Por aqui não se passa nada. Só te liguei para te dizer uma coisa. Lembra-te sempre dos teus valores. Foste criada para seres humilde e aceitares o que os outros te dizem. Ouve uma ou duas vezes para entenderes bem as coisas, assim não haverá mal entendidos»

- Alice, o que se vai passar? O que é que viste?

«Lembra-te do que eu te disse»

Desligou a chamada.

Só me faltava mais esta, o que estava para acontecer? Mal entendidos? Estes dois meses estavam a correr tão bem… Talvez a Alice deve-se arranjar um emprego a escrever horóscopos.

***


publicado por summercullen às 23:20
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20
Jul 11

Boa noite a toda a gente!

 

Eu peço imensa desculpa por tanto tempo de ausência. Já lá vão uns bons meses!

Não sei adianta de muito estar a pedir desculpas por escrito...acho que nunca vou conseguir sentir realmente que mereça uma desculpa.

 

A faculdade ocupou-me imenso tempo, testes, trabalhos, espéctaculos... a vida dá cada volta... e foi por isso que a fic «Summer» saiu imensamente negligenciada.

 

Não tenho desculpas por não ter postado aqui no blog um pequeno "alerta" para a situação, parti do principio que hoje em dia toda a gente tem facebook e por isso todos estariam avisados da minha ausência...por isso, peço, mais uma vez, desculpas.

 

Resta-me apenas dizer que a fic vai voltar.

Brevemente irei recomeçar a postar e prometo que tentarei ao máximo redimir-me desta prelongada ausência.

 

As minhas mais sinceras desculpas.

Vemo-nos em breve.

 

Elisabete «Summer»

publicado por summercullen às 23:22

17
Fev 11

XIII.2


Jacob saiu da porta mesmo a tempo de ver Gavin dar um murro em Robert. Este caiu no chão, agarrado ao olho e a praguejar. Agachei-me junto de Rob e pousei-lhe uma mão no ombro.

- O que raio é que te deu? – Gritei para Gavin.

- O que raio é que me deu? Como é que ainda podes ficar do lado dele quando não te fala há uma semana? – Gavin berrava-me de volta.

Levantei-me do passeio e só não ataquei Gavin porque Jacob me agarrou.

- Calma, Summer. Não vale a pena… - Jake agarrava-me pelos ombros e empurrava-me levemente na direcção contrária de Gavin.

- Não tens nada a ver com a minha vida, Gavin. – Continuava a discutir com ele.

- Tu salvaste-me…agora tenho que te proteger. – Dizia ele de volta.

- Eu não preciso de protecção Gavin, muito menos vinda de ti. – Gavin ficou de boca aberta, simplesmente parado no mesmo sítio a olhar para mim. Semicerrou os olhos cinzentos. Ficou a pensar por uns momentos e a situação acalmou, toda a gente se calou. Vi Jane parada a alguns metros de nós, apenas a observar impotente, com Cole ao seu lado. Por fim, ele abanou a cabeça e cruzou os braços agarrando os bíceps. – Queres dizer…de um HUMANO como eu. – Fez questão de salientar bem aquela palavra.

Senti Jacob apertar os meus ombros enquanto rodava a cabeça para Jane. Ela dirigiu o olhar para o meu melhor amigo e reparou na sua cara de culpado.

- Jake, o que é ele quer dizer? – Perguntou-lhe. Ao ver que não respondia virou-se para mim. – Summer?

Voltei para a beira de Robert que ainda estava sentado no passeio.

- Deixa-me ver. – Sussurrei-lhe, ignorando Jane que se aproximara. Afastei a mão de Rob.

Felizmente o olho não tinha nada, a maça do rosto estava vermelha, o que queria dizer que iria começar a pisar rapidamente, mas o maior problema foi o seu nariz, que tinha começado a deitar sangue. Fixei o líquido vermelho que saia da narina durante um tempo, sem reacção. Robert apercebeu-se e levou as costas da mão até ao seu nariz, limpando o sangue.

- Oh bolas, desculpa. Podes afastar-te se quiseres. – Ele virou a cabeça.

Sem pensar duas vezes coloquei a minha mão no seu queixo e voltei a virar a sua cabeça de novo para mim. Rob abriu um pouco mais os olhos na expectativa do que eu iria fazer.

- Cole, preciso que me arranjes lenços e um pouco de gelo. Jacob, paga a conta, vamos embora. Jane, ajudas o Jake com as nossas coisas, por favor? – Ninguém se mexeu. – Vamos! – Gritei, e logo de imediato Jake agarrou Jane pelo braço e desapareceu para dentro do café com Cole atrás deles.

- Summer… - Disse Gavin atrás de mim.

- Não, Gavin! Já fizeste estragos que chegassem para um dia. Vai-te embora. – Virei-lhe costas e dirigi de novo a minha atenção para Rob. Senti que Gavin queria dizer alguma coisa, mas calou-se e foi-se embora.

- Consegues levantar-te? – Perguntei a Rob. Ele acenou com a cabeça e ajudei-o. Uma pinga de sangue recomeçou a escorrer pelo nariz dele, passando-lhe pelos lábios e caindo no chão.

- Summer, não precisas de estar a fazer isto, deve ser difícil…

- Shh. – Pedi que se calasse e passei o meu dedo pelos seus lábios, limpando o sangue. – Não há problema.

Cole saiu do “Eiffel” com alguns guardanapos e uma saca com gelo na mão, entregou-mos. Robert limpou o sangue com os guardanapos enquanto eu aplicava gelo na sua bochecha. Jake e Jane saíram pela porta com o meu casaco e carteira. O meu melhor amigo fez sinal de paragem a um táxi. Cole despediu-se de nós mas Jane entrou connosco.

- O que é que deu ao petis…ao teu amigo? – Perguntou Jacob do acento da frente.

- Ora, não é óbvio Jake? – Respondeu Jane, sentado ao meu lado, no banco de trás. – O Gavin está apaixonado pela Summer.

- O quê? – Perguntei voltando a cabeça na sua direcção. Felizmente a hemorragia tinha parado e já conseguia respirar direito.

- Não me digas que nunca te apercebeste!? O Gavin praticamente se apaixonou por ti mal te viu, na aula do Samberg. E depois, não sei o que aconteceu entre vocês mas ele ficou ainda mais meloso. – Fez-me o olhar de «vais ter que me contar tudo». – Sempre atrás de ti, a perguntar se querias alguma coisa, até trocou algumas aulas no horário para poder passar mais tempo contigo. Nunca te apercebeste?

- Não! – Respondi apenas. Agora, que Jane o mencionava, tudo encaixava como uma peça de puzzle.

O táxi parou à porta de minha casa e entramos. Edward levantou-se do sofá, onde estava a ver um filme antigo, não sei se porque viu tanta gente a entrar em casa ou se foi o cheiro a sangue.

- O que se passou? – Perguntou enquanto observava o lado esquerdo da cara de Robert.

- O Gavin deu uma de ciumento e atacou o Rob. – Respondeu Jake. Quase consegui ver o seu esforço para não insultar ninguém e não falar mais do que devia à frente de Jane.

- Keith? – Jane acabara de fechar a porta quando deu de caras com Edward. – O que estás aqui a fazer?

Todos precisamos de um segundo para nos lembrarmos que Jane só conhecia Keith, o rapaz novo da faculdade, e não conhecia Edward, o meu pai. «Bolas» pensei.

- Jacob, importas-te de esclarecer a Jane em tudo? Vamos até lá em cima Robert, quero ver se não tens nada partido. – Os três viramo-nos para as escadas e preparamo-nos para subir quando Jake agarrou o meu pai pelo braço, fazendo-o recuar.

- Tudo? – Sussurrou ao seu ouvido.

- Sim. – Concordou Edward.

Robert sentou-se na beira da minha cama enquanto o meu pai lhe apalpava o maxilar e o osso da bochecha à procura de alguma fractura. Em alguns momentos senti Rob encolher-se.

- Não tens nada partido, está apenas dorido. Porque não descansas um pouco? Vou fazer chá para tomares uns analgésicos.

Ajeitei as almofadas para que Rob ficasse confortável e então ele deitou-se. Edward saiu para a cozinha.

- Como te sentes? – Perguntei enquanto desapertava os atacadores das sapatilhas de Robert.

- Dói-me um pouco a cabeça mas a parte pior é o meu ego, que está completamente ferido. – Levou uma mão até à testa e depois tapou os olhos. Sorriu ao de leve.

Tirei-lhe as sapatilhas e sentei-me ao lado do seu tronco, com uma mão do outro lado da cama, ficando com a minha cabeça mesmo acima da sua.

- Não tens que te martirizar por isso. Acho que te portaste muito bem. – Disse com um sorriso.

- Portei-me bem? – Ele abriu alguns dedos da mão e espreitou-me por entre eles.

- Pelo menos não desataste a chorar como uma menina!

Robert puxou-me pela cintura, fazendo com que caísse em cima do meu peito e começou a fazer-me cócegas. Contorci-me e ri-me, tentando-me libertar das suas mãos. Quando ele parou, reparei que tinha trepado para cima da cama, estando agora deitada ao seu lado e com a minha cara muito perto da sua. Ainda o olhava de cima. Abri os olhos e reparei que o seu olhar estava mais azul e brilhante. Pousou uma mão na parte de trás da minha cabeça e muito gentilmente puxou a minha cara mais perto da sua. Conseguia sentir os nossos narizes roçarem na ponta e arrepiei-me. Ele levantou um pouco a sua cabeça das almofadas e os nossos lábios juntaram-se…no nosso primeiro beijo.

publicado por summercullen às 18:53
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10
Fev 11

XIII

Uma semana depois do que aconteceu no bar ainda dava por mim, distraidamente, a olhar para o visor do telemóvel e a desejar que este tocasse. Robert não tinha ligado, nem tinha dado qualquer tipo de notícias desde então e eu era demasiado covarde para tomar a iniciativa.

- O jantar está pronto. – Disse o meu pai quando chegou à entrada do meu quarto.

- Não tenho fome. – Estava deitada na cama, de barriga para baixo, com um livro aberto à minha frente só para disfarçar, o meu telemóvel estava mesmo ao lado.

Edward entrou e sentou-se à minha beira, pousou uma mão nas minhas costas e esfregou-as suavemente.

- Não podes passar todo este tempo à espera de um telefonema. – Disse por entre um suspiro.

- Porque não? Tenho a eternidade, não preciso de me preocupar com o tempo…acho eu. – Acrescentei baixinho.

O meu pai viu que não valia a pena discutir comigo sobre este assunto, pelo que mudou de conversa.

- Porque não vais sair com os teus amigos? O Jacob recebeu uma mensagem da Jane a dizer que iam ao “Eiffel” beber alguma coisa. É sexta-feira, sai e diverte-te com os teus amigos. – Franzi o sobrolho por Jane ter mandado a mensagem ao Jake e não a mim.

- Sim, talvez vá. – Disse fechando o livro que nem sequer estava a ler, peguei no telemóvel e meti-o ao bolso das calças. Levantei-me e fui à procura do meu melhor amigo.

Encontrei-o na cozinha a abocanhar um pedaço de rolo de carne recheada, sentei-me à sua frente e fixei-o com um olhar desconfiado. Em poucos segundos o meu pai juntou-se a nós, sentando-se ao meu lado.

- Com que então a Jane anda a mandar-te mensagens? – Ele parou de mastigar, arregalou os olhos e olhou para Edward que se manteve imparcial e depois voltou a encarar-me. Engoliu ruidosamente.

- Há algum problema? – Perguntou empurrando o pedaço de carne com um copo de água.

- Não, não Jake, nenhum! Apenas achei estranho. Tens estado com ela? – Debrucei-me um pouco sobre a mesa na direcção de Jacob.

Ele pareceu um pouco atrapalhado, pegando nos talheres desajeitadamente e partindo mais um pouco de carne.

- Hum…não. – Meteu mais uma garfada à boca.

- De certeza, Jacob? – Fiz uma pausa, mas quando vi que não me ia responder prossegui. – Não se têm encontrado…sei lá…no caminho para a escola? – Edward olhava para mim com um ar curioso e o seu olhar saltava de mim para Jake.

- Pronto, está bem, eu confesso…porra, é difícil esconder-te alguma coisa. – Bateu com os talheres na mesa. – Eu tenho feito um pequeno desvio quando vou para as aulas para poder passar em frente à casa dela e acompanhá-la até à faculdade.

- Um pequeno desvio? Jake, a tua escola fica no sentido oposto da nossa faculdade. – Constatava apenas um facto, não estava a censurar o meu melhor amigo, no fundo, até estava contente por ele.

- Sim, um grande desvio, mas ponho-me na minha escola em três minutos. – Defendeu-se ele.

- Isso pode ser perigoso Jacob, alguém pode ver-te. – Interpelou Edward.

- Não sou burro, Edward. Tenho sempre o cuidado para confirmar que ninguém me vê. – Assegurou Jake.

- E que tal tem corrido? – Perguntei. Jake voltou a pegar nos talheres e prosseguir com o seu jantar, agora já não estava nervoso, falava, até, animadamente.

- Muito bem. Temo-nos conhecido melhor, discutimos gostos e assuntos. Ela até se interessou em saber mais sobre o curso que ando a tirar.

Assim que Jacob acabou de jantar e de se arranjar saímos para ir ter com os nossos amigos. Jake tinha vestido um par de calças de ganga novas, uma t-shirt branca e uma camisa preta ao xadrez desabotoada. Cheirava bem e o seu cabelo não estava desalinhado como do costume. Agora que reparava nisso, tinha sido recentemente cortado.

- Quando é que cortaste o cabelo? – Perguntei enquanto caminhávamos para o café.

Jake passou a mão, distraidamente pelo novo penteado.

- Ãh…para aí na terça. – Olhou de relance para mim e eu percebi tudo o que queria dizer com aquele olhar. Parei no meio do passeio, envergonhada comigo mesma. Jacob parou dois passos mais à frente. Olhou para trás e ficou à espera que eu dissesse alguma coisa.

- Tenho sido uma idiota nesta última semana, Jake. Desculpa-me. – Disse encarando o chão. – Tenho-me focado apenas em mim e esqueço-me que há mais gente à minha volta que também precisam de atenção. Tenho sido uma péssima amiga, sempre a atirar para cima de ti os meus problemas e sem tempo para ouvir o que tens para me dizer. Podes perdoar-me?

Jacob percorreu a distância que nos separava com uma passada apenas e chocou contra o meu corpo, todo os seus dois metros de altura chocando contra mim, abraçou-me e pousou o queixo no topo da minha cabeça.

- É claro que te perdoo ervilha, não te preocupes com isso. Estou aqui para o que der e vier, bom ou mau, juntos conseguimos ultrapassar tudo. E não vai ser um humanozeco que nos vai quebrar. – Depositou um beijo no meu cabelo. – E se fizermos um acordo? Passas para cá o telemóvel, esta noite não vais passar todos os minutos a olhar para o seu visor, vais descontrair e divertires-te com os teus amigos. Que tal?

Sorri, Jake tinha sempre um plano para me animar. Meti a mão ao bolso, retirei o meu Blackberry e depositei-o na sua mão.

- Toma conta dele. – Disse na brincadeira.

Jane, Cole e Gavin saudaram-nos quando entramos no café “Eiffel”. Bebemos chocolate quente, comemos beignets conversamos, contando piadas ou simplesmente discutindo assuntos do quotidiano. Como sabia bem conseguir esquecer-me, nem que fosse durante duas horas, da minha diferença. Gostava de poder admitir que estar com eles me fez esquecer Robert mas tal não aconteceu, nem por um momento, por isso não foi de estranhar que este entrou pelas portas do café, de cabeça erguida a varrer todas as mesas com o olhar eu não tenha acreditado que era mesmo ele. Finalmente o seu olhar encontrou-me, eu estava a sorrir de uma anedota que Gavin tinha contado e por isso continuei a rir quando os nossos olhares se cruzaram. Rob caminhou lentamente na direcção da minha mesa e consegui sentir Jake ficar tenso. Antes que ele se colocasse ao meu lado Jacob levantou-se e colocou-se à sua frente, barrando-lhe o caminho. Robert foi obrigado a olhar para cima para encarar o meu amigo nos olhos, mas tão pouco recuou.

- Vens com uma semana de atraso, palerma. – Rosnou-lhe Jacob tão baixo que era suposto só Rob ter ouvido.

- Jake, deixa-o. – Disse com rispidez enquanto me levantava do lugar.

Gavin levantou-se logo a seguir, pronto a defender-me se alguma coisa desse para o torto.

- Eu só quero falar com a Summer. – Respondeu Rob calmamente com o seu sotaque inglês.

O som da sua voz demorou-se nos meus ouvidos e pude sentir os meus joelhos a querer começar a ceder. Respirei fundo e obriguei-me a pensar que ele não me ligara durante uma semana, tal como Jake tinha dito, estava atrasado. Caminhei até ele, colocando-me à frente de Jacob.

- Vamos lá para fora. – Disse para Rob. Ele foi à minha frente e quando comecei a caminhar olhei para trás, dizendo a Jacob com o olhar para não nos seguir.

Consegui perceber que Gavin discutia com Jake mas não prestei atenção ao conteúdo. Assim que chegamos ao passeio Rob parou e virou-se para mim. Desta vez já não evitava o meu olhar. Meteu as mãos aos bolsos e por momentos consegui ver-lhe os boxers pretos “Calvin Klein”. Mais uma vez tive que respirar fundo.

- Desculpa o que passou lá dentro com o Jacob. – Comecei.

- Não te preocupes, temperamento de lobo. – Um leve sorriso pousou-lhe nos lábios e senti um formigueiro no meu estômago.

- É isso mesmo. – Disse, imitando o seu sorriso e cruzando os braços ao nível da barriga.

- Eu sabia que te encontraria aqui esta noite. Desculpa a interrupção, Summer, mas não pude evitar de vir cá e ver-te. Fui um parvo em sair daquele maneira na sexta-feira anterior, devia ter confiado em ti, afinal, nunca me deste razões para não o fazer. – Robert não me dava tempo para falar. – Mas apanhaste-me desprevenido. Bem, desprevenido não foi bem a palavra porque já me tinham avisado que isto iria acontecer, apenas não queria acreditar que, o que eu pensava ser um lunático, tivesse razão. E, bolas, é de loucos, quer dizer, eu faço filmes sobre este tipo de assuntos que deviam ser ficção, aliás…eu faço o filme que conta a tua história, a história dos teus pais, da tua família, amigos…

- Espera, espera, espera, Robert. – Consegui interrompê-lo. – Um lunático já te tinha avisado que isto ia acontecer? O quê? Como assim?

Robert colocou-se mais perto de mim e estendeu as mãos na minha direcção, com as palmas viradas para mim.

- Ok, tem calma, não te passes com o que eu vou dizer. O Edward, sim, o mesmo que conheci em tua casa, que apresentaste como teu irmão, veio ter comigo, na quarta da semana passada e contou-me tudo. Não quero dizer que o acho lunático, bolas…nada disso, não acho o teu irmão…pai…lunático, mas na altura pareceu-me…

Robert continuava a tagarelar sobre achar o meu pai lunático mas eu só conseguia pensar como e porquê é que Edward lhe tinha contado. Contar o nosso segredo, expor-nos daquela maneira, para um homem que mal me conhecia. Não fazia sentido.

- Ouve lá… - A voz de Gavin interrompeu o meu pensamento e o monólogo de Robert, atirando-nos de novo para a realidade. – Quem é que tu pensas que és para chegar aqui ao fim de uma semana depois de teres fugido e reclamar tempo para ti? – Sem que nada o fizesse prever Gavin puxou o braço atrás e depositou um soco bem perto do olho esquerdo de Robert.

***

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10
Jan 11

XII.3

- Vem comigo. – Sussurrou ao meu ouvido. Pegou-me na mão e conduziu-me através das pessoas que olhavam para nós e, principalmente, para as nossas mãos dadas, até um terraço privativo nas traseiras do bar.

Mais ninguém se encontrava naquele sítio. Tinha um muro de pedra alta, que tapava a vista para a rua, coberto de heras. No chão havia umas pedras grandes, enterradas no chão, desenhando um pequeno labirinto por entre a relva. Ficamos junto ao varandim, num local onde nem mesmo quem se encontra-se dentro do bar nos conseguiria ver. Ainda assim, pelo sinal que Robert deu ao segurança daquele local, tinha a certeza que ninguém nos apareceria de surpresa. Ele ainda não tinha largado a minha mão, nem mesmo quando se virou de frente para mim e começou a falar.

- Eu sei que me exaltei no outro dia, peço desculpa por isso…

- Robert, não tens que…

- Não, por favor. Deixa-me falar. – Pediu-me quando o interrompi. Respirou fundo uma vez. – Naquele dia, quando me disseste que não podias estar comigo eu assumi que era por eu ser quem sou, mas…depois de teres cantado aquela música, ali dentro, percebi que era outra coisa. Eu quero…aliás, eu necessito de estar contigo, pela minha saúde mental. Seja o que for que te prenda, eu quero ajudar-te a libertares-te.

O seu olhar brilhava, anunciando uma lágrima que se formava e senti o meu peito ficar pesado. «(…)eu necessito de estar contigo, pela minha saúde mental». Estas palavras faziam eco nas paredes da minha cabeça.

- Desde o momento em que te conheci que não te consigo tirar da cabeça. – Prosseguiu. – Acordo a pensar em ti, no que irás fazer naquele dia, e deito-me a pensar se o dia te terá corrido bem. – Sorriu, um sorriso triste. – Por favor, explica-me.

«Diz-lhe a verdade», ouvi a voz do meu melhor amigo.

- Está bem. – Suspirei. – Eu vou dizer-te a verdade. Vou contar-te tudo e depois, se nunca mais me quiseres ver, nunca mais me quiseres falar, eu compreendo perfeitamente. – Larguei a mão de Rob e virei-lhe as costas. – Só te quero pedir uma coisa.

- Tudo o que quiseres. – Ouvi-o dizer.

- Tudo o que se passar aqui, esta noite, não pode nunca sair daqui. Por favor, estou a mexer com a vida de várias pessoas agora. Se contares a alguém não me estarás a prejudicar apenas a mim. – Lancei-lhe o olhar por cima do ombro.

Robert acenou com a cabeça uma vez, percebendo que o caso era sério e depois disse «prometo».

Virei todo o meu corpo para ele, mas ainda não o conseguia encarar firmemente, pelo que os meus olhos vacilavam muitas vezes para o chão, já os seus, pelo contrário, não deixavam de fixar os meus.

- A primeira coisa que tens que perceber é que nem tudo o que é filme, ou literatura, é completamente ficção. Quer dizer…de algum sítio tiveram que tiver a ideia, ou neste caso, alguém teve que lhes dar a ideia…as ideias não caem do céu e…

- Summer, estás a tagarelar. – Rob deu uma ligeira gargalhada.

- Ok. – Sussurrei. Pousei as mãos na cabeça e apertei-a. «Cá vamos», pensei. Assim que o fiz, num piscar de olhos movi-me da frente dele para as suas costas.

Robert não se mexeu, ficando a olhar para o sítio onde há menos de um segundo atrás estava uma pessoa, depois começou a rodar a cabeça muito devagar, à minha procura.

- Estou aqui. – Sobressaltou-se quando ouviu a minha voz atrás de si.

- Como é que fizeste isso? – Olhou de novo para o sítio onde estava e depois voltou a virar-se de frente para mim.

- Para ir directa ao assunto…tu conheces-me, aliás, sabes o que sou…eu sou a Renesmee. – Esperei durante um tempo. Quando cheguei aos 23 segundos Robert soltou uma gargalhada desprovida de humor ou divertimento.

- Sim, claro. – Ironizou. – E eu sou o Edward.

- Não. Tu és o Robert, eu sou a Summer, mas toda a gente me “conhece” por Renesmee. Eu sou a semi-vampira, filha da Bella e do Edward dos livros da Stephenie Meyer ao qual tu dás vida no papel do meu pai. O que eu acabei de fazer foi deslocar-me a uma velocidade que os teus olhos e o teu cérebro não conseguem acompanhar. – Assim que acabei de o dizer voltei a deslocar-me, de um lado para o outro, à mesma velocidade estonteante, só voltando a mudar de lugar quando Robert me fixava.

Ele parecia assustado mas não se mexeu.

- Espera um segundo. O que estás a querer dizer? – Eu sabia que ele já entendera, mas tinha dificuldade em pensar que tudo era real e que estava a acontecer naquele momento.

- Robert. – Aproximei-me um pouco dele, mas não o suficiente para o bloquear caso ele quisesse sair dali a correr. – O que estou a dizer é que os nomes que conheces como sendo personagens de um livro de ficção são reais, elas existem e são a minha família e os meus amigos.

Ele virou-me as costas e cruzou os braços, passando depois uma mão pelo cabelo deixando-o completamente desalinhado. Demorou cerca de um minuto até dizer alguma coisa.

- Eu sabia. – Sussurrou apenas, algo tão baixo que quase não era perceptível.

- Sabias? – Perguntei desconfiada.

Rob virou-se para mim como se perguntasse «como é que ouviste?», mas resolveu ignorar essa questão. Tínhamos a distância de dois passos um do outro.

- No outro dia, enquanto falava com a Stephenie por causa do novo filme disse-lhe que te tinha conhecido e ela disse que te conhecia também. Que te conhecia muito bem. Pediu-me que fosse compreensivo para contigo, que tu eras especial, não eras igual ás outras raparigas. Mas quanto a isso eu já tinha percebido. Depois comecei a recordar aquele momento em que me safaste dos paparazzi, a facilidade com que passamos por eles, como se eles não nos vissem. Parecia mesmo que os estavas a manipular. E, ainda há pouco tempo, encontrei o teu amigo entroncado que está lá dentro.

- O Jacob? – Interpelei.

- Sim…ele veio ter comigo e perguntou-me se era o Robert Pattinson, quando lhe disse que sim ele disse-me para te respeitar, que tu eras diferente de tudo o que eu já conhecera, e que se alguma vez te magoasse, quem sabe? Poderia ter a visita de um lobo gigante.

Soltei uma leve gargalhada com a ameaça do meu amigo. Só mesmo o Jacob para falar numa coisa séria e inseri-la no contexto de brincadeira.

- O que me queres dizer com isso tudo, Summer? – O olhar dele divagava um pouco entre mim e a porta que dava acesso à entrada para o bar.

- O que quero dizer, Robert, é que eu sou uma semi-vampira, o meu pai é um vampiro, Edward, o verdadeiro Edward do livro “Twilight”, a minha mãe é a Bella, e eu sou a Renesmee. Bem, Summer…o meu nome no livro foi mudado. Aliás, quase tudo mudou. – Acrescei baixinho.

Robert começou a andar de um lado para o outro, atrapalhado e sem saber o que dizer, muitas vezes abria a boca mas não saía nada. Esperei, pacientemente, que ele organiza-se as ideias, mas ao mesmo tempo estava cheia de medo que ele desatasse a correr bar a dentro e nunca mais me quisesse ver.

- Queres dizer que existem vampiros? Que são reais? – Continuava a andar de um lado para o outro.

- Sim. – Respondi apenas.

- Os livros…não são imaginação? – Continuou.

- Não.

- Isso quer dizer que existe um lobisomem na sala ali dentro? – Apontou um dedo para as portas de vidro.

- Sim. – Respondi depois de olhar para as portas.

- E tu…semi…semi-vampira? – Gaguejou, sem olhar para mim.

- Hum…sim. – Anui olhando para o chão.

- Isto é demais para assimilar. – Parou de andar de um lado para o outro e não me voltou a dirigir o olhar, nem uma vez. – Amanhã ligo-te. – Dito isto, deixou-me sozinha no terraço.

***

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02
Jan 11

XII.2


Tudo à minha volta decorria normalmente, pessoa a divertirem-se, a falar, a rir, a conviver, até a minha própria mesa estava animada. Cole falava com Gavin sobre as aulas, professoras e colegas de turma que achavam giras, Jane e Jacob falavam sobre passatempos e comentavam sobre as músicas que outras pessoas cantavam no karaoke. O bar estava envolto numa penumbra reconfortante, mas ainda assim me amaldiçoava por da minha mesa conseguir ver Robert. Não olhava para ele directamente mas conseguia vê-lo a olhar para mim. Alguns dos seus acompanhantes já lhe tinham seguido o olhar, outros até lhe deram umas cotoveladas e umas palavras de encorajamento para vir falar comigo.

- Devias ir falar com ele. – Disse Jacob ao meu lado quando Jane e Gavin se levantaram para ir buscar bebidas.

- E dizia-lhe o quê? – Voltei de novo a atenção para a lata de coca-cola que tinha estado a dilacerar.

- Diz-lhe a verdade! – Deitei-lhe um olhar de ironia. – Eu não sei bem o que se passou entre vocês, mas tenho a sensação que tudo deu errado por causa do que és. Isso está a matar-te por dentro e olha que a ele também. – Jake olhou de relance para Robert e este desviou o olhar para a sua mesa. – Conta-lhe!

- Não posso, Jake. Não quero expô-lo ao perigo. – O meu amigo soube imediatamente que me referia aos Volturi.

Jane e Cole voltaram com mais bebidas para todos e Jake ocupou de novo o seu lugar.

- Robert em andamento. – Disse-me Jane ao ouvido assim que se sentou.

Levantei o olhar e vi Rob a descer as escadas que davam acesso ao balcão privado onde se encontravam. Passou por mim, a umas mesas de distância, sem olhar. Dirigiu-se para o palco, falou com o DJ de serviço e pegou numa viola que ali estava pousada. Sentou-se num banco alto e ajeitou o microfone. Toda a gente do bar lhe deu atenção. Na guitarra soaram os primeiros acordes de uma música que eu bem conhecia, e Rob cantou.


I don't mind it,
I don't mind at all

It's like you're the swing set, and I'm the kid that falls
It's like the way we fight, the times I've cried
We come to blows and every night
The passion's there, so it's got to be right, right?


Antes de passar ao refrão abriu os seus olhos, até então fechados e cantou-o directamente para mim.

 

No, I don't believe you

When you say don't come around here no more
I won't remind you
You said we wouldn't be apart

No, I don't believe you
When you say you don't need me anymore
So don't pretend to
Not love me at all


Desviei o meu olhar do seu. Já não conseguia suportar mais ver a dor nos seus olhos. Ainda assim, mesmo sem o encarar, sabia que ele me fixava e cantava o resto para mim.


I don't mind it, I still don't mind at all
It's like one of those bad dreams when you can't wake up
Looks like you've given up, you've had enough
But I want more, no, I wont' stop
'Cause I just know you'll come around, right?

Just don't stand there and watch me fall
'Cause I, 'cause I still don't mind at all


Arrepiei-me quando me apercebi que ele tinha alterado o sentido da música, só para fazer sentido para nós…para mim. Robert levantou-se ao som de aplausos de toda a sala e voltou para o seu lugar. Nos seus olhos conseguia ver o início de lágrimas, que ainda assim foram reprimidas. Não sorriu quando os seus amigos o elogiaram pela canção. Pediu mais uma bebida e ficou a ouvir as duas raparigas que se seguiram.

Jacob continuava a olhar para mim com o mesmo ar de antes. «Vai falar com ele» pediam os seus olhos. Eu limitava-me a abanar a cabeça negativamente. Jane já se tinha apercebido que algo de errado se passava. Ela sabia que a música tinha sido para mim e agora olhava para Jacob à procura de respostas.

- Jake, podes vir comigo ao bar pedir mais uma bebida? – Foi a desculpa que utilizou para poder fazer perguntas.

- Importas-te de me trazer um martini? – Pedi. Ela assentiu com a cabeça e partiu.

- Estás muito séria! – Comentou Gavin.

- Tenho que estar. – Disse-lhe com gravidade.

- Vais cometer algum crime? – Na sua voz havia brincadeira.

Olhei para a mesa de Robert no preciso momento em que ele me dirigia mais um olhar. Desta vez não desviei o meu. Enfrentei-o com ferocidade. Engoli em seco enquanto respondia a Gavin.

- Não. Mas preciso de ganhar coragem para o que vou fazer a seguir.

Jane e Jake apareceram com as bebidas. Peguei no meu copo de martini e bebi-o de penalty. Assim que acabei bati com o copo na mesa e levantei-me rapidamente. Todos os meus amigos estavam a olhar para mim. Dirigi-me ao DJ e falei com ele rapidamente. Fiz com que ele visse que o meu papel de karaoke vinha mesmo a seguir, quando na realidade eu nem sequer me tinha inscrito no karaoke.

- Nem acredito que ela vai cantar. – Disse Jane para Jake.

- E eu até sei para quem vai ser. – Jane olhou para ele e o meu amigo conduziu o seu olhar para Rob.

Subi ao palco e peguei no microfone. Sabia a canção ideal para dizer a Robert tudo o que sentia naquele momento, e não podia esperar mais. Ele estava a olhar para mim e eu não tirava os olhos dele.


I wish I knew how it would feel to be free
I wish I could break all the chains holding me
I wish I could say all the things that I should say 
Say 'em loud say 'em clear
For the whole wide world to hear 

I wish I could share
All the love that's in my heart 
Remove all the bars that keep us apart
And I wish you could know how it feels to be me
Then you'd see and agree that every man should be free


Lágrimas começaram a formar-se nos meus olhos, mas eu tentava que elas não caíssem, nem que se notasse na minha voz. E com isso continuava a canção.


I wish I could be like a bird in the sky
How sweet it would be if I found I could fly
Well I'd soar to the sun and look down at the sea 
And I'd sing cos I know how it feels to be free

 

Rob levantou-se da sua cadeira e encostou-se ao beiral do balcão.


I wish I knew how it would feel to be free
I wish I could break all the chains holding me
And I wish I could say all the things that I wanna say 
Say 'em loud say 'em clear
For the whole wide world to hear


A partir deste momento já não me conseguia controlar mais. Queria gritar com todas as minhas forças que o amava e porque razões ele não deveria ficar comigo. Mas não podia. Eu nunca seria livre. As lágrimas começaram a rolar pela minha cara. Larguei o microfone e comecei a andar apressadamente em direcção à saída. Antes de chegar à porta fui travada por umas mãos que seguraram os meus ombros. Sacudi-as pensando serem as do Jacob, mas assim que me virei vi que era Robert quem me agarrava. Fiquei sem palavras, mas as lágrimas continuavam a escorrer-me pela cara. Olhei para o chão, não queria que ele me visse assim.

Rob pegou no meu queixo e levantou-o até me conseguir ver claramente. Limpou as minhas lágrimas com o polegar e depois abraçou-me.

***

1ª música: Pink - I Don't Believe You

2ª música: Ligthouse Family - Free

publicado por summercullen às 23:50
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29
Dez 10

XII

Só me apercebi que tinha adormecido quando ouvi a porta de entrada bater e as vozes de Edward e Jacob. O meu melhor amigo reparou nas minhas coisas em cima da mesa da cozinha e chamou o meu nome. Corri à casa de banho e passei a cara por água, eliminando, o mais que podia, as provas de que tinha estado a chorar, voltei ao quarto e revirei a almofada, deixando a parte seca para cima. Meti uns phones nos ouvidos e abri o meu exemplar de “Para a minha irmã” de Jodi Picoult numa página à sorte. Jake subiu as escadas e entrou de rompante no meu quarto, atirando-se de seguida para cima da minha cama. Não olhei para ele e por isso arrancou-me um phone do ouvido.

- Estás sempre com isso nos ouvidos e depois não me ouves a chamar por ti! – Disse fingindo-se de zangado.

- Desculpa. O que disseste? – Olhei de relance na sua direcção.

- Apenas chamei por ti porque vi as tuas coisas na mesa da cozinha… Estás bem? – Perguntou-me examinando melhor a minha cara. Nesse preciso momento o meu pai apareceu à porta do meu quarto.

Olhei para cima, para ele. Não sabia se Edward sabia ver que tinha estado a chorar, ele não me conhecia assim tão bem, mas no entanto, conseguia sempre surpreender. Antes que dissessem alguma coisa a esse respeito espetei o indicador no ar.

- Cortei-me! – Disse apenas.

Edward atravessou o meu quarto em passos largos enquanto Jacob se endireitava na minha cama.

- Como assim, cortaste-te? – Perguntou o meu amigo. Neste momento, o meu pai já removia o penso do meu dedo.

- Com uma faca. Mas já está quase curado…

- Com uma faca? – Edward fitou os meus olhos com dúvida. Acenei a cabeça em concordância.

Ele revolveu o meu dedo e examinou ao pormenor a cicatriz rosa. Ponderei durante uns momentos se lhe devia contar a verdade caso me perguntasse. Que consequências obteria? Nunca mais ver Robert? Mas isso já eu tinha meio decidido. Enviar-me-ia de regresso para Forks? Nunca o conseguiria!

- Como é que isto aconteceu? – E lá estava a pergunta.

- Estava com o Robert quando me cortei. – As palavras saíram-me da boca sem pensar, sem hesitar.

- Com o petisco de sanguessuga? – Perguntou Jake ao meu lado, também ele olhava para o meu dedo.

- Quem? Não! Esse é o Gavin. – Corrigi-o.

- Ainda é vivo? – Ao ver que não reagia Jacob levantou o olhar e encontrou-me a olhar para ele, sem humor nenhum. O meu pai imitava-me!

Felizmente Edward não me disse nada acerca do assunto. Continuava no meu quarto, sentada na minha cama com o livro em cima da barriga, mas agora não olhava para ele, o meu olhar estava fixo na parede e só pensava em tudo o que tinha acontecido a apenas algumas horas atrás. Porque razão tinha sentido tanta necessidade de beber o sangue de Robert? É certo que nas minhas veias ainda corria sangue humano de quando levei o tiro, mas deveria ser capaz de resistir, ou não? Porque é que lhe disse aquilo daquela maneira? Se voltasse atrás, faria diferente? O que lhe diria? Como estaria ele? O que estaria a fazer?

Quarta e quinta-feira tinham sido terríveis para mim e para quem me rodeava. Andava num clima negro, de apatia, onde me levantava de manhã muda e me deitava à noite calada. Nada ao meu redor me interessava, nem a conversa animada dos meus amigos ao meu lado me tirava deste estado. Tinha estragado tudo com Rob, muito provavelmente nunca teria outra hipótese, apenas isso enchia a minha cabeça. Agonia.

- Já chega! Estou farta de te ver assim. Isso requer medidas drásticas! – A voz de Jane mesmo ao meu ouvido distraiu-me por alguns momentos do meu egocentrismo.

- O quê? – Balbuciei distraída.

- Fica a saber, menina Summer, que hoje, sexta-feira, vamos os quatro sair! E não aceitamos um não como resposta. Nem que tenha que te arrastar de casa para fora. – Jane tinha-se finalmente afastado um pouco do meu ouvido quando obriguei a minha cabeça virar-se para ela.

- E íamos onde? – Perguntei sem interesse.

- Não é «íamos», é «vamos»! Sair. Logo se vê. – Agitou uma mão à frente da minha cara quando me preparava para protestar, indicando que a conversa estava terminada e tudo decidido.

No final do dia regressei a casa, o mesmo caminho que percorria todos os dias, a pé. Quando quase dei com o nariz na minha porta azul olhei para trás, não me lembrava de ter percorrido todo aquele caminho, simplesmente deixei o piloto automático ligado. Entrei em casa e encontrei Jake deitado no sofá, com o comando na mão a fazer zappig pela televisão.

- Então ervilha, como correram as aulas hoje? – Era de esperar que o meu melhor amigo já tivesse deixado de falar para mim. Todos os dias me fazia aquela pergunta e todos os dias recebia a mesma resposta, silêncio. Mas ali estava ele, com o seu bom humor de sempre, um sorriso na cara, à espera da minha resposta.

- Veste-te! Esta noite vamos sair. – Disse-lhe com uma voz grutural.

Jacob saltou do sofá e caminhou até estar tão próximo de mim que podia sentir o seu calor corporal.

- E vamos onde? – Perguntou com entusiasmo. Não sei se pela saída ou se por finalmente eu lhe ter dirigido a palavra em três dias.

- Não sei, a Jane é que decide. – Comecei a caminhar para o meu quarto.

- A Jane? Ela também vai? Foi ela que organizou? Aposto que nos vai levar a um sítio altamente. E só vamos nós os três? Não me digas que o petisco de sanguessuga e o amigo loiro também vão! Não os quero perto da minha Jane à noite. O que é que eles vão…

- Jacob, por favor! Estás a fazer-me dores de cabeça! – Jake falava incessantemente, fazendo perguntas atrás de perguntas sem nunca esperar por uma resposta. – Vai escolher roupa! – Despachei-o.

Enfiei-me no meu quarto e mandei uma mensagem à Jane.

«Levo o meu carro, por isso passo por aí a buscar-te. Manda mensagem ao Gavin e ao Cole, eles que esperem por nós no café Eiffel. O Jacob também vai.»

Abri o meu guarda-vestidos e percorri-o com o olhar. Não me apetecia vestir nada, nem sequer arranjar-me. Tirei umas calças de ganga e duas camisolas e fui tomar banho. Quando sai, embrulhada numa toalha e outra na cabeça, vi que ela me tinha respondido.

«Ok, já pus os rapazes na ordem! Já sei de um sítio altamente para nos divertirmos. Bem, acho que mais um no carro não faz muito mal, mas ele que mantenha a boca fechada. Até logo!»

Sorri porque me lembrei que sempre que mandava uma mensagem a algum dos meus tios a dizer que o Jake ia andar no meu carro normalmente respondiam que depois não me iriam ajudar a limpar os pêlos de cão dos bancos! Já imaginava Jane, daqui a uns tempos, quando Jacob lhe contasse o que realmente era, a dizer-me exactamente a mesma coisa. Vesti a roupa que tinha escolhido, prendi o cabelo num rabo-de-cavalo alto e calcei umas All Star. Dirigi-me ao quarto do meu amigo para saber se estava pronto e deparei-me com um Jake de calças de ganga, sapatilha preta, camisa branca e blazer. De banho tomado, barba feita, penteado e a colocar perfume do mesmo cheiro do after-shave. Arregalei os olhos para a visão que estava a ter.

- Que tal? – Perguntou-me ele dando uma volta sobre si.

- Muito chique. Muito contraste de mim. – Disse entrando no seu quarto e mostrando a minha simples fatiota.

Entramos no meu carro e dirigimo-nos para casa de Jane. Jacob não parava de mexer no rádio e mudar as estações.

- Podes parar com isso? – Perguntei já irritada.

- Estou à procura de uma música que mostre que sou fixe e que tenho bom gosto musical. – Mais uma mudança de emissora.

Paramos em frente da casa de Jane e dei-lhe um toque para o telemóvel indicando que estava à porta. Ela sai passando uns segundos, envergando um vestido preto, muito justo ao corpo e sexy. Não era o estilo roqueiro normal dela. Entrou no carro e examinou-me antes de fechar a porta.

- Onde é que tu pensas que vais assim? Nem pensar! Já sabia que ias vestir coisas foleiras, é que nem te deixam entrar no bar onde vamos. Já à minha frente. – Quase me empurrou para sua casa e para o seu quarto.

Jake seguiu-nos mas ficou na sala a falar com a mãe de Jane e a fazer festas ao pastor alemão que, mais uma vez, me rosnou quando passei por ele. Em cima da sua cama estava um vestido verde tropa, com tachas e estilo militar.

- Veste, preparei-o para ti.

Não tive escolha. Passados dois minutos estava dentro daquele vestido que me assentava perfeitamente e me realçava a cor dos olhos. Nos pés tinha uns botins pretos, de salto alto.

- Perfeito. Agora sim, podemos ir! – Já ia a sair do seu quarto quando fui travada. – Ah, já me esquecia. – Puxou-me o elástico do alto da cabeça e pediu-me que abanasse a cabeça.

O meu cabelo ficou disposto num estado selvagem, com caracóis formados em cacho a caírem pelos ombros, com algum volume. Passamos no ponto de recolha para o resto do grupo e depois segui as instruções de Jane até a um bar de aspecto elegante. Entramos e sentámo-nos numa mesa. Jacob fez todos os possíveis por se sentar ao lado de Jane. Estavam a falar de concertos e de bandas de rock, pelo que era bom não os ouvir a mandar bocas um ao outro. Sentei-me ao lado de Jane e Gavin veio colocar-se ao meu lado.

- Olha, hoje é noite de karaoke. – Disse Cole lendo uma folha colocada no tampo da nossa mesa.

- Claro que é, por isso é que quis vir aqui hoje à noite! Summer, tens que cantar uma música comigo. – Jane dava pulinhos no seu banco alto.

- Ah, não. Nem penses Jane. Está muita gente. – Felizmente Jake disse que cantava uma com ela.

Pedimos bebidas e a lista de músicas para o karaoke. Todos falavam animadamente entre si, mas eu continuava um pouco apática e por isso distrai-me a ler a lista de músicas.

- Oh, meu Deus. Aquele não é…? – Ouvi Cole perguntar.

- Claro que é, é o Robert Pattinson. – Guinchou Jane ao meu lado!

Levantei o olhar a tempo de ver Rob entrar no bar com um grupo de pessoas. Algumas reconheci-as do set de filmagens, outras não sabia quem eram. Olhei para Jake e vi que ele estava a olhar para mim, ao contrário dos meus amigos…quem quero eu enganar? Ao contrário de toda a sala. Ele podia não saber o que tinha acontecido exactamente mas era suficientemente perspicaz para saber que a culpa da minha apatia estava relacionada com o Robert. Olhei de novo para o centro das atenções e como que se pressentisse alguma coisa ele olhou directamente para mim. Fixamo-nos durante uns momentos, sem qualquer reacção, até eu baixar o olhar de novo para a lista.

«Vai ser uma longa noite.» pensei!

***

publicado por summercullen às 00:07
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20
Dez 10

XI.3

Perdi a noção do tempo. Tinha a mente completamente em branco, não queria ter que voltar a pensar no doce cheiro de Rob. Ainda estava sentada no chão, encostada à parede! Lentamente, levantei-me e encarei a minha imagem ao espelho. A perda de sangue tinha dado um jeito à cor dos meus olhos, estavam mais escuros, mas isso também poderia indicar que iria ser cada vez mais difícil resistir ao sangue de Robert. Respirei fundo e molhei a cara com água. A ferida começara a sarar mas ainda era visível o corte. O pano que levara da cozinha estava manchado de sangue e o chão da casa de banho também. Apressei-me a limpá-lo e depois coloquei-me à escuta. Ele já não estava perto da porta. Conseguia ouvir o som do seu coração bater mas estava mais distante. Com suavidade, rodei o manípulo da porta sem provocar qualquer barulho. Espreitei para o interior da roulotte. Rob estava em pé, perto do frigorífico, de costas para mim. Limpava o sangue que tinha ficado na banca com alguns papéis de cozinha e água. Sem me aperceber coloquei-me atrás dele num abrir e piscar de olhos. Quando ele se virou assustou-se com a minha presença tão próxima.

- Não te ouvi sair. – Disse colocando uma mão no peito. O seu coração estava acelerado do susto. Era como um tambor nos meus ouvidos sensíveis. Forcei-me por não me concentrar no seu som.

- Desculpa! Não te queria assustar. – Respondi friamente.

- Como é que estás? Deixa-me ver. – Rob estendeu a sua mão e pegou na minha. Inspeccionou o corte durante uns momentos. – Ainda está aberto. É melhor colocar-mos um penso para não apanhar sujidade. – Virou-se novamente de costas e caminhou na direcção da mesa onde tinha o estojo de primeiros socorros.

Voltei a segui-lo felinamente, sem fazer qualquer barulho e mais uma vez colocando-me demasiado próxima de si. Tal como um predador a brincar com a comida. Quando se voltou a virar deu de caras comigo.

- Não sei como fazes isso! – Disse por um entre cortar de respiração.

- Nem queiras saber. – Provoquei.

Rob demorou-se um pouco a examinar os meus olhos. Deve ter notado que estavam diferentes e deve também ter reparado na minha expressão fria. Tinha o modo de predador ligado e por isso todas as minhas emoções tinham sido reprimidas ao máximo. Queria desesperadamente sair daquele modo, lutava constantemente com o pensamento de o morder. Precisava de o afastar…não…precisava de me afastar. Ele colocou o penso no meu dedo e demorou-se um pouco a acariciar as minhas mãos. Levantei o meu olhar e encontrei o dele, novamente, fixo no meu. O seu coração recomeçou a bater mais depressa, mas desta vez mais profundamente, mais vibrante.

Robert desceu o olhar para a minha boca e sem que conseguisse pensar nisso os meus lábios entreabriram-se, convidando-o a aproximar-se. Ele inclinou um pouco a cabeça na minha direcção, não recuei. Mais um pouco e os nossos narizes quase se tocavam. Voltou a lançar o seu olhar azul profundo no meu e senti os meus joelhos perderem a força. O seu coração batia com mais força e quando os nossos narizes se encostaram eu senti novamente a urgência de tomar o seu sangue.

- Não posso. – Disse afastando-me dele o mais rapidamente possível, encostando-me à banca da cozinha no lado oposto onde ele se encontrava.

- Hum…desculpa. – Gaguejou Rob.

- Não é culpa tua. – Olhei para o chão. «Pensa claro, Summer.»

- O que se passa? – Ele deu um passo na minha direcção mas fiz-lhe sinal que parasse.

- Eu sou diferente, Robert. Não posso ficar com alguém como tu. – Senti uma dor aguda ao proferir as palavras que há muito andava a pensar.

Ele parou para pensar e aos poucos uma ruga começou a formar-se por entre as suas sobrancelhas.

- «Não és tu, sou eu», sério? – Ele estava exaltado. – Pensei que ao menos fosses sincera comigo, que não me darias uma desculpa tão esfarrapada quanto essa. – A sua voz começava a elevar-se.

- Rob, eu…

- Não Summer. Eu compreendo, a sério. Tu és diferente, tu não queres andar comigo por causa de quê? Da minha exposição? Do meu trabalho? De quem eu sou? – Rob gesticulava em todas as direcções. – Tudo bem. Até compreendo que precises de alguém mais adequado a ti.

- Não é nada disso! – Consegui gritar no meio da sua discussão.

- Oh, por favor. Tenho a certeza que não queres nada comigo por causa de quem sou. Tudo bem, eu posso viver com isso… - E depois acrescentou, tão baixinho que se fosse humana não perceberia uma única palavra, enquanto colava ambas as mão na cabeça e apertava com força. – Ou talvez não. Estou tão farto disto.

Voltou a olhar para mim, desta vez o seu olhar cru, mas no fundo, cheio de dor.

- Robert, estás a entender tudo errado. – Tentei falar com suavidade, mas não resultou.

- Não precisas de te explicar mais. Já ouvi que chegasse para entender tudo. – Virou-me as costas e cruzou os braços junto ao peito.

Se ao menos ele se apercebesse que eu conseguia sentir a sua dor, a sua raiva, o seu desapontamento. Mas não valia a pena estar a explicar-me mais. Eu não poderia dizer o que ele queria, ou precisava, de ouvir, por isso o meu tempo com ele tinha acabado. Peguei nas minhas coisas e dirigi-me à porta. Antes de sair, voltei-me na sua direcção.

- Espero que um dia tudo mude… - E fechei a porta atrás de mim.

Percorri as ruas até casa quase em passo de corrida. Tinha a cabeça feita em água e muitas vezes reprimi um soluço. Estava cheia de raiva. Raiva de quem eu era e porque isso não me permitia ter uma vida normal com o homem de quem gostava. Na minha cabeça apenas existia uma palavra: Porquê?.

Cheguei a casa e bati a porta de entrada, atirei as minhas coisas para cima da mesa da mesa da cozinha e subi as escadas com um passo pesado e quase a correr. Entrei no meu quarto e fechei a porta com um estrondo. Atirei-me para cima da cama, de barriga para baixo e cara enterrada na almofada e depois permiti o que há muito queria fazer, abafei os meus gritos na minha almofada e deixei que as minhas lágrimas a molhassem.

***

publicado por summercullen às 22:10
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